8 de agosto de 2016
Monstros - Cocatriz
Histórico
Em meio as areias movediças do deserto, vivia uma serpente deveras sórdida, cuja respiração e olhar mataram muitos guerreiros valentes. Ela deslizava para dentro das tendas para envenenar crianças que brincavam e perseguia crocodilos nos leitos dos rios em busca de seus ovos. O povo a chamou de basilisco. Sua lenda se espalhou pelo Oriente Médio, e dela originou-se o cocatriz.
O mal do tipo mais maligno se escondia no coração do basilisco. Tal alma vil não poderia simplesmente morrer, mas procurava um novo hospedeiro através do qual prosseguia as suas práticas fétidas. Durante os dias negros da Praga Djinni, quando os maus espíritos alimentavam-se da terra, o basilisco desovou 39 vezes, cada vez criando outro a sua imagem. Juntos, os monstros criaram um grande deserto, e 10.000 homens morreram diante deles. Finalmente, a grande coragem dos guerreiros, as artes da feitiçaria sagrada e o favor de Allah (Bem-aventurado seja Ele!) trouxeram um fim à praga.
O magnífico galo, portador do sol e mensageiro da vontade e da misericórdia de Deus, foi abençoado com o poder de superar a criatura. Com o tempo, o canto de um galo sinalizava a morte de um basilisco, e o povo se alegrava. A cada dia, o grandioso galo saia quando o sol se levantava, procurando as serpentes malignas. Seu canto mantinha a vítima petrificada, e ali a luz bendita de Deus transformava o monstro em cinzas. Assim, quando o último dos basiliscos ouviu o canto do galo, ele congelou. Sabendo que seus prazeres blasfemos haviam chegado ao fim, ele clamou aos deuses do submundo por misericórdia.
Os poderes tenebrosos viram o ocorrido e atenderam ao desespero do basilisco. Eles concederam a criatura uma última chance de atacar de modo que ela pudesse devorar o galo. Sendo agraciado, o basilisco torcia e se contorcia no chão. Os movimentos atraíram o galo faminto, que procurava a refeição da manhã. Mas, como todos os presentes concedidos pelo Inimigo, a sua bênção não era tão fortuita quanto o basilisco esperava. A contorção do basilisco o esgotou. O galo, inteligente demais para ficar parado, bicou e cutucou sua refeição, fugindo da cauda viperina e do hálito venenoso até que o sangue do basilisco engrossa-se como betume na terra.
No entanto, o Maligno conseguiu sua vingança. Enquanto o galo consumia o basilisco, a alma do basilisco consumia o galo. Em um horrível instante, o corpo da criatura mudou, e o magnífico galo, corrompido, transformou-se para se adequar a sua nova alma. Assim foi o surgimento do cocatriz.
Descrição
Basiliscos percorriam a Líbia nos tempos antigos. Serpentes com metros de comprimento, cuja picada, cauda e olhar poderiam matar. O hálito do basilisco secava plantas e abria rochas, criando assim, o deserto da Líbia. Com cada homem, mulher e criança que vitimou, a má reputação da criatura cresceu. Apenas dois inimigos ameaçavam o basilisco: a doninha, que podia superá-lo com seu mau cheiro e mordida, e o galo, que paralisava-o com seu canto ao amanhecer.
Um galo infeliz devorou o último basilisco conhecido há muito tempo. Rastejando para o interior do mato, a ave condenada transformou-se para atender a alma que agora carregava. O recém-nascido cocatriz podia matar com um olhar ou com o vapor de seu hálito, e podia atacar com o veneno que escorria da cauda de serpente.
Uma malícia irredutível se esconde no coração de um cocatriz, e seu veneno não tem antídoto. O veneno ferve através das veias e cauteriza a carne. Quando essa infusão perversa atinge o coração ou o cérebro, a vítima morre. Nessa altura, ela cai em espasmos e gritos de tormento, os olhos arregalados e brancos. Mesmo após a morte fechar seu véu misericordioso sobre a vítima, o corpo se contrai e balança, castigado com as convulsões e agitação em seu interior.
Todos os cocatrizes são assexuados, nem macho, nem fêmea. O cocatriz se reproduz picando um galo comum. Quando isso acontece, o veneno entra no corpo do galo e forma um ovo, o qual a ave acondicionará de acordo com os espaços em suas entranhas.
Como a magia desapareceu do mundo, os cocatrizes começaram a escolher hospedeiros com menos cuidado. Embora a abominação ainda prefira encontrar galos para carregar seus ovos, é sabido que picam outros animais - até mesmo seres humanos - com a sua farpa fertilizadora.
Enquanto o ovo cresce no corpo da vítima, o hospedeiro fica muito doente. Uma vez que o ovo é expelido (normalmente através das entranhas, mas por vezes, através de outros orifícios ou mesmo feridas abertas), o hospedeiro recobra sua saúde. No entanto, ele ficará maculado para sempre, manchado pela incubação do mal e assombrado por sonhos terríveis. Se, por má sorte, o ovo estourar dentro do hospedeiro, o embrião peçonhento ira se espalhar por todo o corpo. Nenhum destino mortal poderia ser pior que essa agonia....
Extremamente territorialista, o cocatriz protege seu hospedeiro com uma vontade vingativa, assim como o galo guarda suas galinhas. Uma vez chocado, um cocatriz procura locais subterrâneos úmidos e escuros. De hábitos noturnos, ele abomina o sol, embora a luz solar não faça nada mais que irritá-lo. A criatura sulfúrica espreita em regiões agrárias ou selvagens. Um cocatriz jovem deve afastar-se e encontrar seu próprio covil ou desafiar seu pai pelo domínio de seu território. Um filhote tem pouca chance de vencer tal desafio até a maturidade, a menos que o cocatriz dominante esteja velho e moribundo.
Apesar de sua natureza sórdida, um cocatriz raramente ataca a menos que seja encurralado ou seu território esteja ameaçado. O intruso ouvirá um silvo agudo avisando-o; qualquer um que reconheça o som deve fugir imediatamente. Como uma cobra, do cocatriz prefere engolir sua presa inteira e digeri-la lentamente. Uma criatura faminta pode servi-se de carniça, mas apenas quando não se pode encontrar outro alimento.
Hoje em dia
O último registro público sobre um basilisco foi em um documento de nascimentos e mortes Igreja de Varsóvia, datado de 1587. Escrito por monges, o registro afirma que duas jovens irmãs morreram quando expostas ao sopro de um cocatriz em seu porão. Claro, o eventual desaparecimento do cocatriz aos olhos mortais não significa que as criaturas estão extintas - simplesmente que elas foram forçadas a se esconder da humanidade, porque são perigosas demais para serem deixadas vivas. Estes monstros poderiam ser encontrados em locais selvagens ou rurais que forneçam hospedeiros, alimento e lugares escuros para se esconder.
Aparência
Exibindo-se e bicando, deslizando e engolindo, o cocatriz tem uma aparência assustadora. Quando assustado, agita as penas amarelo-ocre e estica suas grandes asas coriáceas. A mandíbula inferior da besta desloca-se, caindo para exibir o interior preto de bico. Quando se acalma, o cocatriz exibi-se sobre as esquisitas patas de frango - enrugadas e cinzas, salpicadas de pontos como as mãos de uma mulher idosa. Saindo de sua extremidade traseira, a cauda do cocatriz possui pele reptiliana, brilhante e lisa como ébano líquido e terminando em um gancho peçonhento. Os olhos de âmbar secular brilham frios e perversos, correndo de um lado para outro. Olhar para um cocatriz é suficiente para fazer qualquer pessoa fugir - ou congelar em terror, enquanto o monstro coloca seu ovo.
Fazendo sua toca em locais escondidos e putrefatos, o cocatriz invariavelmente fica coberto com excrementos ou uma membrana gordurosa advinda de sua última refeição, o que torna fácil sentir seu cheiro bem antes de poder vê-lo. A forma estranha do cocatriz o torna desajeitado, mas a besta não é menos perigosa por sua falta de graça.
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Texto extraído do site Mundo das Trevas.
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31 de julho de 2016
Novas Fichas de Clã Vampiro Mascara
Vendo a necessidade de fichas personalizadas para nosso jogo de Vampiro a Máscara, um dos integrantes do meu grupo resolveu editar as fichas de todos os clãs, deixando-as mais personalizadas ainda.
Obrigado Pedro, por me permitir liberar aqui no Blog suas fichas. Garanto que serão muito úteis para todos.
Abaixo está a imagem inicial de algumas das fichas.
25 de julho de 2016
Gehenna: A Noite Final
Uma Raça contra o Armagedom.
Por um milênio, os vampiros se alimentaram dos vivos, escondidos nas sombras da sociedade mortal. As lendas dizem que os mortos-vivos descendem de Caim, o primeiro assassino retratado na Bíblia, o qual transmitiu a sua maldição através de seu sangue. Essas mesmas lendas falam de um acerto de contas final, quando Caim e suas crianças malucas irão levantar-se do repouso e consumir todos os mortos-vivos. Os vampiros chamam isto de a hora da Gehenna.
Para o vampiro Beckett, um pesquisador entre os mortos-vivos, significa a última oportunidade para compreender os mistérios da ruína de Caim — e em exceder os seus próprios pecados.
Vampiro: Gehenna, A Noite Final é o primeiro ato do Tempo do Julgamento, contando a história de um abrangente Armagedom entre as entidades sobrenaturais do Mundo das Trevas.
Material traduzido por "Equipe do RPG Pará Traduções Livres".
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9 de julho de 2016
O Caso de Ouro Preto – Quinze anos de Incompetência
Em outubro de 2001, a jovem Aline Silveira Soares saiu de Guarapari,
no interior do Espírito Santo para a cidade de Ouro Preto, em Minas
Gerais. Com apenas a roupa do corpo e alguns trocados no bolso, seu
objetivo não era visitar as esculturas de Aleijadinho ou passear pela
arquitetura colonial considerada pela UNESCO como um dos patrimônios da
humanidade. Além de ser o mais belo monumento ao ciclo do ouro colonial,
Ouro Preto também é uma cidade universitária, sede da Universidade
Federal de Ouro Preto e coalhada de repúblicas estudantis, muitas delas
com décadas de existência e tradições. Uma dessas tradições é a Festa Do
Doze, que em todo 12 de outubro reúne alunos e ex-alunos da UFOP para
beber e curtir nas repúblicas e ruas da cidade. Era para essa festa que
Aline seguia, acompanhada apenas de uma amiga, Liliane, e sua prima
Camila Dolabella.
8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.
O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.
Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.
O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.
Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.
Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.
Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.
A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.
Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.
O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.
Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.
Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.
Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.
Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.
Por Felipe de Amorim, em Teoria da Conspiração.
8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.
O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.
Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.
O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.
Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.
Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.
Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.
A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.
Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.
O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.
Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.
Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.
Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.
Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.
Por Felipe de Amorim, em Teoria da Conspiração.
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1 de julho de 2016
GOT - O Casamento do Cavaleiro
A saga de Westeros, descrita nos romances George R. R. Martin, é uma saga sobre família. Uma história sobre famílias nobres envolvidas no mais perigoso dos jogos — o jogo dos tronos. Alianças e traições, amor e ódio, ascensão e queda de dinastias são os elementos das histórias sobre os participantes deste jogo. Os maiores jogadores neste tabuleiro sabem que um casamento pode ser uma ótima ferramenta para alcançar a vitória, e um ideal romântico para aqueles jovens o suficiente em seus corações.
O casamento do cavaleiro é uma história introdutória para GOTRPG e tem como foco um casamento. Este casamento tem um valor prático para as famílias que unirá, e é uma chance de romance (e perigo) para os noivos, que podem vir a ser jogadores ou personagens importantes em sua crônica. Este material prepara o palco para que o drama se desenvolva e sugere algumas cenas apropriadas para a trama.
Mas deixa para você, o narrador, e para seus jogadores resolverem e desenvolverem a história. Afinal, esta é a sua história sobre o jogo dos tronos em Westeros.
O casamento do cavaleiro é uma história introdutória para GOTRPG e tem como foco um casamento. Este casamento tem um valor prático para as famílias que unirá, e é uma chance de romance (e perigo) para os noivos, que podem vir a ser jogadores ou personagens importantes em sua crônica. Este material prepara o palco para que o drama se desenvolva e sugere algumas cenas apropriadas para a trama.
Mas deixa para você, o narrador, e para seus jogadores resolverem e desenvolverem a história. Afinal, esta é a sua história sobre o jogo dos tronos em Westeros.
Resumo da Trama
Como é de costume nos Sete Reinos, duas casas nobres menores estão tentando enterrar antigas diferenças através de um casamento arranjado. Sor Kevan Manning, um jovem cavaleiro e herdeiro de uma casa jurada ao Rei Robert Baratheon, está prestes a se casar com Lady Sylvie, filha de um nobre rival. Sor Kevan, um jovem um tanto quanto ingênuo, já está apaixonado por sua prometida. Já Lady Sylvie pensa de forma diferente sobre um casamento arranjado com antigos inimigos de sua família e não vai subir ao altar virgem como manda o costume.
De fato, ela tem Sor Etan Hogg, um dos cavaleiros jurados de seu pai, como amante e pretende ficar com ele, mesmo contra os desejos de sua família. Além disso, seu amor proibido gerou uma gravidez, apesar de ninguém (nem mesmo Sylvie) saber disso ainda.
É claro que outros membros das casas Manning e Harte têm seus próprios planos, e o casamento iminente pode tanto apressar estes planos quanto ser oportunidade perfeita para colocá-los em prática.
É aí que os jogadores entram em cena...
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